Banquete Literário



Segunda-feira, Outubro 11, 2010



A NEGRA QUE NÃO PODIA SER ANJO E FOI PINTADA DE BRANCO


NegraEu vi na minha terra natal
A garota mais bela do lugar
De corpo lindo e perfeito
E faceira no andar
Com belos olhos castanhos
Pra todos admirar.

Mas havia grande defeito
Para o povo daquele lugar
Porque tinha pele negra
Não podia se misturar
Com as minas de cor branca
Nem ao menos coroar
A santa virgem Maria.

Porém, um dia resolveram
A negra virar anjo
E de branco lhe pintaram
E colocaram-na no altar
Todos queriam saber
Quem era aquela donzela
Com tanta simpatia
De onde ela viera
Parecendo a virgem Maria.

Na hora de coroar
Os panos descem no braço
E a pele preta aparece
Virou um grande alvoroço
A festa da coroação
Queriam saber agora
Quem falsificou o anjo
Como pode uma negra dessa
Coroar Nossa Senhora?

Naquele momento então
O racismo prevaleceu
A menina foi escondida
Porque o público correu
Para o lado do altar
Querendo lhe crucificar
Do jeito que Jesus morreu.

Essa história é verdadeira
Em Abaiara foi o canto
No Cariri do Ceará
Onde uma negra com seu manto
Fez um grande milagre
Com a hóstia saindo sangue
Mas o padre é quem vira Santo.

Leonardo Sampaio.

Quilombo Bom Sucesso - Novo Oriente, 09 de outubro de 2010



Fala que eu te Escuto:

Quarta-feira, Junho 23, 2010



CUIDAR É AMAR

O cuidado é cuidar,

Cuidar sem paixão,

Cuidado não é passageiro,

Cuidado é amor,

Cuidar é zelar,

Zelar é carinho,

Carinho é vida,

Vida é história,

História de vida,

Vida é zelo, amor e cainho,

Carinho é gostar,

Gostar do que ama,

Amar com zelo e carinho,

Zelo e carinho é sentimento,

Sentimento vem de dentro,

E faz pulsar o coração,

Coração é o centro,

O centro que pulsa,

Pulsar é descentralizar,

Descentralizar é partilhar,

Partilhar é formar um corpo,

O corpo tem membros,

Membros se interligam,

Interligam em suas funções,

Funções é o fazer com amor, zelo e carinho,

Se um falha o corpo padece,

Padecer é sofrer,

O sofrer com lagrimas,

Lagrimas do desprezo,

Desprezo entristece,

Tristeza traz depressão,

Depressão enfraquece,

Fraqueza traz abandono,

Abandono traz sujeira,

Sujeira afasta,

Afastar é separar,

Separando o coração para,

Se parar não se ESCUTA o pulsar,

Sem pulsar para a gestão do corpo,

Para ressuscitar precisa pressão no peito,

Que é no peito onde esta o coração,

Fui tocado e pressionado,

Por um lamento coletivo,

Com lágrimas que lavam desprezo e abandono,

Por não se escutar mais.



Leonardo Sampaio

23/06/2010


Fala que eu te Escuto:

Terça-feira, Novembro 24, 2009



Quando a conheci
pensei que ela fosse ser
a minha Lou Salomé
E que o nosso relacionamento
ia ser do tipo Simone de Beauvoir
Mas o que rolou foi muito mais
do tipo Hannah Arendt
Além disso, ela era
chata como Xantipa
e foi minha angústia
como Regine Olsen
Mas pelo menos
não fui como Kant,
que não comia ninguém.


Leandson Sampaio.



Fala que eu te Escuto:

Terça-feira, Outubro 27, 2009



LIBERTE-SE!
(Djaci José)


Liberte-se!Liberte-se do medo
Não do receio
Liberte-se da culpa
Não da responsabilidade
Liberte-se do Ter
Não do desapego
Liberte-se do trabalho
Não do fazer
Liberte-se da liberdade
Não da vontade

Liberte-se! Liberte-se! Liberte-se!

Liberte-se da hora
Não do tempo
Liberte-se do amanhã
Não do hoje
Liberte-se do rancor
Não da dor
Liberte-se do amor
Não da paixão
Liberte-se do nada
Não da solidão

Liberte-se! Liberte-se! Liberte-se!

Liberte-se do tocar
Não do sentir
Liberte-se do ver
Não do olhar
Liberte-se de deus
Não do eu
Liberte-se da química
Não do natural
Liberte-se do diabo
Não do mal

Liberte-se! Liberte-se! Liberte-se!



Fala que eu te Escuto:

Terça-feira, Setembro 29, 2009



Diz-simula-ação

um ateu
disfarçado
de deus

um geek
disfarçado
de hippie

um junkie
disfarçado
de punk

um otário
disfarçado
de libertário

(Leandson S.)



Fala que eu te Escuto:

Sexta-feira, Agosto 28, 2009



Por um instante.
[Eden Loro]

brazil_grafittiUm amor anarquista, uma alfabetização
cultural, paixão e utopia, uma Cléo sem Daniel,
uma metamorfose de ética e existencialismo
para primeiros passos numa estante
de pensamentos alheios
onde um artista da fome ditos (maus) ditos
Não negaria a elogiar a loucura de um coiote
em busca de um admiravel mundo novo
Digo isso, por um tal de livre arbitrio
bem além do bem e do mal
chego a sentir um mal estar, um vazio
Como a sala de estar de um burguês que nunca está
Um tempo que transcende pra nos unir
a um banquete de Freires, Kafka, Nietzsche, Roterdan,
Oscar Wilde, Fernando Verissimo entre outras pessoas,
pessoas e mais pessoas.
Talvez um heterônimo meu ou um ateu qualquer
que se ultilize da biblia para negar o cristianismo
Por um instante de frente a minha estante
de pensamentos alheios
Escolho o niilismo
Nego tudo isso
e vivo... vivo?



Fala que eu te Escuto:

Terça-feira, Agosto 25, 2009



EDUCAÇÃO PUPULAR É FAZER PENSAR
[Leonardo Sampaio]


Fazer educação popular
É mergulhar no mundo dos pobres,
E fazer ele pensar,
Pra entender seu sofrimento
E assim poder cobrar
Direitos constituídos
Sem precisar mendigar.

O ESCUTA faz assim,
Com a arte popular
Reunindo toda família
Para em grupo conversar,
Contar suas histórias
E da infância lembrar
Dos tempos felizes de ontem
E com alegria cantar
Revivendo o passado
Pegando o ritmo a dançar
Tornando-a terapia
Trazendo na arte popular
Saúde e qualidade de vida
Pra quem vivia a chorar.

A família não é a mesma
Passa a ter outro olhar
Compreendendo sua história
Todos ficam a acreditar
Que a vida é feita de glória
Pra curtir e amar
Sentir a felicidade
Olhar o outro e mimar
Fazer a proximidade
E assim conquistar
Vida com qualidade.

Assim, a RECID também faz
Com a linguagem popular
Oficinas de formação
Pra poder conscientizar
Que existem políticas públicas
E que todos tem que buscar
Como direito assegurado
Para a vida melhorar.

16/08/2009

Fala que eu te Escuto:

Sábado, Julho 25, 2009



Jogueiros!


Fala que eu te Escuto:

Segunda-feira, Julho 20, 2009



O Jovem Werther depois de 235 anos de amor.

Qual a diferença das relações amorosas dos séculos XVIII e XIX para os séculos XX e XXI? Até que ponto a literatura pode influenciar na vida amorosa dos leitores? Como pode um sentimento considerado bom, como é o amor, levar pessoas a fazerem loucuras consideradas ruins? Será que o amor na época de Johann Wolfgang von Goethe (1749 - 1832), autor de “Os Sofrimentos do Jovem Werther” (1774) pode ser considerado mais forte do que na contemporaneidade, devido à tamanha identificação dos leitores com o fato do suicídio de uma personagem levar a se querer fazer o mesmo? Talvez o escritor Caio Fernando Abreu (1948 - 1996) esteja correto sobre o amor contemporâneo ao afirmar que já não se ama mais, pois, nas palavras dele no artigo “Extremos da Paixão”, publicado em 1986 no jornal O Estado de São Paulo: “Ninguém quer ninguém. Amar é out, é babaca, é careta. Embora persistam essas estranhas fronteiras entre paixão e loucura, entre paixão e suicídio”. Ainda questiona: “como querer outro(a) pode tornar-se mais forte do que querer a si próprio?”.

manrayNo mesmo artigo, Caio lembra-se de John Hincley Jr., que, apaixonado por Jodie Foster, escreveu a ela, em 1981: "Se você não me amar, eu matarei o presidente". E depois deu um tiro no presidente estadosunidense da época: Ronald Regan. Para Caio, a frase de Hincley é a mais significativa frase de amor do século XX. E talvez seja mesmo. E talvez existam centenas de outros exemplos de casos contemporâneos anônimos que podem equiparar-se, e que faz pensar sobre o quanto o poder do amor é capaz, quando “te amo tanto e tão além do meu ego que - se você não me ama: eu enlouqueço, eu me suicido com heroína ou eu mato o presidente”. Por isso, Caio lembra-se também de “Adèle Hugo, filha de Victor Hugo, que apaixonou-se por um homem que não a queria e ela o seguiu aos Estados Unidos, ao Caribe, escrevendo cartas jamais respondidas, rastejando por amor. Enlouqueceu mendigando a atenção dele até que certo dia, em Barbados, esbarraram na rua. Ele a olhou e ela, louca de amor por ele, não o reconheceu. Quer dizer, ele havia deixado de ser ele e transformara-se em símbolo sem face nem corpo da paixão e da loucura dela. Não era mais ele: ela amava alguém que não existia mais, objetivamente. Existia somente dentro dela. Adèle morreu no hospício, escrevendo cartas (a ele: "É para você, para você que eu escrevo" - dizia Ana C.) numa língua que, até hoje, ninguém conseguiu decifrar.

Além disso, o que se pode afirmar sobre as relações amorosas do século XXI onde os valores de um ano para o outro parecem se modificar como se houvéssemos passado de um século para outro, onde a família, por exemplo, deixa cada vez mais de ser uma instituição que serve de parâmetro de melhor vida e passa a ser questionada na sua forma tradicional “pai-mãe-filhos”? Isso sem contar com novas formas de “linguagens do amor” que deixam as relações tão mais distantes do que antigamente...

O Werther de hoje certamente seria bem diferente em vários aspectos. Em vez de cartas, talvez mandasse recados pelo Orkut, e Goethe talvez publicasse os seus textos em um Blog, quiçá em PDF no esquema Copyleft, que se espalharia por correntes de e-mails infinitas. Talvez Werther se suicidasse por motivos bem diferentes também. Quem sabe por uma crise existencial por não conseguir lidar com a própria sexualidade, ou quem sabe depois de uma longa discussão da relação através do MSN com Charlotte, pela Webcam (e que certamente estaria ainda no mesmo dia no Youtube), que muito provavelmente seria um dos assuntos mais comentados no Twitter. Ou quem sabe, em vez de suicidar-se, Werther se transformasse em um grande boêmio que afogaria as suas mágoas bebendo ali no Pitombeira. Ou virasse um evangélico fanático. Ou simplesmente torraria todo o seu dinheiro em livros de auto-ajuda, psicotrópicos, psicanalistas, biodança e todas as novas formas de “salvação” contemporâneas...

Divagações à parte, pode ser que todo mundo tenha um pouco de Werther, um pouco de John Hincley, um pouco de Adèle Hugo. Ou melhor, acredito que no fundo todo mundo tem os seus “extremos da paixão” em potencia. E existem diversas formas de “válvulas de escape” para amores não correspondidos & afins. No fim, é bom lembrar que os “extremos da paixão” nem sempre se convertem apenas em porra-louquicess, assassinatos e drogas. Uns viram ótimos artistas, como o próprio Goethe, outros decidem ir para a África fazer boas ações, como alguns amigos que conheço etc.; Se o amor não tivesse essa ambigüidade extrema, muito provavelmente ele não teria a menor graça e não se teria tantas teorias e tantas demonstrações da sua graça maior: a pluralidade.

Leandson Sampaio.


Fala que eu te Escuto:

Sábado, Junho 06, 2009



Há pouco mais de um ano fui convidado pela ONG Diaconia para representar o ESCUTA em um intercâmbio com jovens na cidade de Lima, no Peru, juntamente com a ONG peruana Kallpa. Agora venho compartilhar por meio do texto a seguir um pouco como foi esta experiência:

"Peruando" pelo mundo. [Leandson S.]


Logo nos primeiros momentos de preparação da viagem deu pra sentir o quanto ela poderia ser interessante a partir do entrosamento que íamos ganhando enquanto estávamos tendo os primeiros contatos entre nós mais profundamente, já que nos conhecíamos aqui em Fortaleza em outros Intercâmbios mas não tínhamos muitas convivências. Quando as primeiras aulas de espanhol começaram na Diaconia junto com os primeiros estudos sobre a temática do Intercâmbio, percebi que ia valer a pena os dias de aula perdidos na faculdade para que desse tudo certo ou para que ao menos fosse da melhor maneira possível.

Quando chegamos a Lima, depois de alguns problemas nos aeroportos brasileiros, fomos muito bem recebidos(as) ao ponto de que desde o primeiro almoço tivemos um grande entrosamento e uma grande confiança nas pessoas daquele país até então desconhecido de forma que qualquer problema, por menor que fosse, nós tínhamos a certeza de que não faltariam esforços para que fosse resolvido, o que depois pudemos comprovar concretamente.

grafitando!Tivemos a oportunidade de conhecer tanto o lado rico quanto o lado pobre de Lima e esse foi um dos aspectos que mais me chamou a atenção na viagem. O lado rico me pareceu ser extremamente rico, enquanto o lado pobre pareceu ser extremamente pobre, o que revelou o grande contraste que é marcante nos países onde impera o neoliberalismo. Apesar disso, houve um lado positivo que foi o fato de conhecermos mais pessoas que estão dispostas a mudar essa realidade cruel do mundo.

Nos contatos que fomos tendo aos poucos com a juventude peruana, fomos assimilando algumas peculiaridades e ao mesmo tempo algumas afinidades que demonstram a universalidade de algumas coisas dado o processo contínuo de globalização que vem ocorrendo de forma cada vez mais rápida nos últimos tempos. Dessa forma, o Peru nos pareceu mais próximo do que é do Brasil, não apenas geograficamente, é claro, mas também humanamente.

Durante o acampamento na praia de Kawai foi ótimo conviver um pouco mais intensamente com jovens que têm o pensamento um pouco diferente do que estamos acostumados, com visões a partir de uma cultura diferente da brasileira em diversos aspectos, como por exemplo, os aspectos sócio-políticos, culturais, religiosos etc. Os dois dias que estivemos juntos foram bastante proveitosos, onde pudemos trocar experiências que muito provavelmente levaremos para o resto de nossas vidas.

Conhecer a Casa Wayannayay no bairro de Pamplona Alta foi uma experiência que nos mostrou algumas coisas parecidas com os trabalhos que fazemos no Brasil, como por exemplo, os cortejos, as danças, o teatro, a música etc. Poder fazer um cortejo pelo bairro mostrando um pouco de como fazemos no Brasil foi maravilhoso, assim como tocar para eles/elas as músicas e as danças típicas brasileiras.

Em resumo, foi muito bom conhecer um pouco da realidade da Ameríndia, que está ao mesmo tão longe e tão perto da gente. Conhecer um pouco da linguagem, da arte, da religiosidade, da política peruana foi algo marcante dentro do nosso processo de formação humana que estamos tendo continuamente dentro dessas capacitações que nos favorecem a continuidade do que estamos fazendo, além do fortalecimento do vínculo com pessoas que estão dentro desse processo, nessa caminhada difícil e prazerosa.


Fala que eu te Escuto:

Terça-feira, Maio 26, 2009



A arte como mobilização política e cultural.

Ajunta aí, meu povo!A juventude que compõe a caravana utilizou a arte o tempo todo chamando a atenção das pessoas para os problemas que afetam os jovens do mundo inteiro. Unimo-nos nessa caravana com intuito de mobilizar outros jovens para discutir questões que nos afligem, direitos básicos e universais como respeito ao ser humano, independente da sua raça etnia ou orientação sexual.

Quando a gente pintava o rosto, se vestia de fita, de chita, botava a boca no megafone e as faixas nas mãos era para “cortejar” outros jovens mostrando que somos capazes de grafitar um mundo mais bonito. Que a gente pode dançar esperanças para situações conflitantes, que às vezes nos matam antes mesmo de tentar. Podemos batucar os nossos gritos de revolta contra opressão que quer nos impedir de ser gente de direito. Encenamos, se colocando no lugar do outro e fazendo isso mostrando que é possível a transformação das pessoas para se indignar contra situação de violências. Através do click da câmera fotográfica mais do que imagens, a gente quis mostrar coisas capazes de dizer sentimentos que as palavras não conseguiam alcançar.

No final de tudo o importante mesmo não é exibir uma solução, mas provocar um bom debate. Até porque cada realidade pede soluções diferentes. Essa é a cara desse pessoal que pegou a estrada, os olhos brilhando com a possibilidade do que nos juntando, outro mundo é possível.

Micinete Mulher! (Caravana de Comunicação e Juventudes - Fortaleza, CE)


Fala que eu te Escuto:

Terça-feira, Maio 05, 2009



HOMENAGEM PÓSTUMA.

Augusto BoalRECORDO-ME QUE COMECEI A FAZER TEATRO NO ESCUTA, E FOI JUSTAMENTE NO ESCUTA QUE FUI DESCOBRIR QUEM ERA ESSA FIGURA ESPETACULAR E TÃO IMPORTANTE NO CONTEXTO TEATRAL, SOCIAL E MUNDIAL QUE É AUGUSTO BOAL.

AUGUSTO BOAL NÃO FOI!
AUGUSTO BOAL É! E SEMPRE SERÁ IMORTALIZADO NO CORAÇÃO
DE CADA BRINCANTE DO FAZER TEATRAL, DO TEATRO QUE PROBLEMATIZA E QUESTIONA AS REALIDADES DO MUNDO.

PORQUE É COMO AMIR HADDAD DISSE: AS CORTINAS SE FECHARAM PRA ELE AQUI, NO PLANO MATERIAL,
MAS NESTE EXATO MOMENTO OUTRAS CORTINAS JÁ ESTÃO ABERTAS NO PLANO ESPIRITUAL PARA ELE ESTAR FAZENDO
E DISCUTINDO SEUS ESPETÁCULOS LÁ EM CIMA!

JAIR SOARES - ARTISTA POPULAR.




Fala que eu te Escuto:

Segunda-feira, Abril 20, 2009



Obra, poder e ação

Obra é sinônimo de quem faz,
Fé sem obra é nanição,
Obra no poder público,
É sinal de corrupção
Obra com fé
É sinal de salvação.

Muitos se arvoram no poder
Tendo como inspiração,
O desejo de se dar bem,
Outros com amor no coração
Querem fazer o bem
Inspirado no Deus da comunhão.

Poder e obra não se separam,
Assim Jesus nos ensinou,
Obra é a luz que alumia,
Poder é o dom que lhe enviou,
Para partilhar com natureza,
Os bens que a todos confiou.

A humanidade destoa
O poder que Deus lhes deu,
Por isso sofre Ele,
A natureza e os filhos seu,
Devido à ganância e o egoísmo
Que permanece no fariseu.

Com essa oração matinal,
Faz aumentar minha fé,
Que o mundo tem jeito,
Sem o mau do lucifé,
Mas com o amor de Maria
E o espírito de José.

Assim concluo dizendo
Que essa minha oração
Tirada do peito e da alma
É fruto da inspiração,
No Cristo libertador
Que me deu obra, poder e ação.

Leonardo Sampaio
19/04/09 - Dia do Índio


Fala que eu te Escuto:

Sexta-feira, Abril 10, 2009



ESCUTA: 29 anos nos caminhos revolucionários.

A busca de se seguir os passos no caminho que seguiu Jesus Cristo, o maior líder da terra, o homem que revolucionou o seu tempo e os templos é um desafio. Porque ele foi um homem capaz de confrontar poder político, econômico e religioso em defesa dos pobres, humildes, marginalizados, desprezados pelos três poderes. Encontrou ali o povo de Abraão, de Davi, de Moisés, da Região de Israel, Palestina, Canaã era o povo hebreu e judeu.

A arma mais poderosa, mais contundente e incisiva que levava para o combate, era o amor a humanidade. Para ele ninguém e nenhum poder tem o direito de escravizar, de tornar seres humanos e a natureza em deposito de lixo.

Com Dom Aluísio LoscheiderComo instrumento para o enfrentamento, levou em seu patuá munições capazes de enfraquecer o inimigo e diante deles puxou o gatilho e atirou com palavras que se fizeram verbo, anunciando que o verdadeiro amor se pratica com justiça, fraternidade, humildade e ação. Como bom guerrilheiro, se fez profeta denunciando que quem pratica opressão e destruição em detrimento à vida não será digno do Reino de Deus.

E assim, com estes ensinamentos, o verbo se fez palavra na Favela da Fumaça, periferia de Fortaleza em 10 de abril de 1980. O tempo foi de ditadura militar, de perseguição, tortura, assassinato, de capitalismo selvagem, de Igrejas conservadoras. Por estes motivos o profetismo de Jesus Cristo se fez presente com palavras geradoras nos caminhos da liberdade, com a presença viva do nosso pastor maior D. Aloisio, das freiras, padres, seminaristas e pessoas leigas politizadas, missionárias que foram para o enfrentamento com a munição evangelizadora da fé, da esperança, da organização social em busca de melhorias da qualidade de vida, de moradia, de trabalho, saneamento e cidadania.

Morava ali uma população migrante das secas, das cercas, da fome, do latifúndio e foram jogados no espaço urbano, no mais elevado mundo do capitalismo anticristão. Eram brasileiros, brasileiras, nordestinos, nordestinas criaturas humanas vivendo em ambientes desumano. A esperança é depositada em Deus e nos poderosos, não vislumbram em si a capacidade de alcançar os sonho e a utopia. Aguardam apenas o manja cair do Céu, ou sobreviver de acordo com a vontade de Deus. Transfere assim para Deus um pai malvado, cruel que lhes oferece para vida o sofrimento, o comodismo. Os direitos estão nos ricos e pra si apenas a caridade.

Em meio a esse povo é que nasce a Comunidade Eclesial de Base - CEBs da Fumaça e o Espaço Cultural Frei Tito de Alencar - ESCUTA que completam 29 anos nos caminhos revolucionários de lutas e construção da cidadania.

A fonte inspiradora que fortalece essa resistência e insistência é a fé no Cristo libertador, que confiou apenas em 12 companheiros e ainda foi traído por dois, mesmo assim não desistiu de levar adiante seus ideais de salvar a humanidade dos males causados pela ganância, o egoísmo e o individualismo.

Leonardo Sampaio
Educador e poeta


Fala que eu te Escuto:

Terça-feira, Abril 07, 2009



"PEDAGOGOS E PEDAGOGIA PRA QUÊ?"
(João Paulo Roque)

Tomando por base o título do livro de José Carlos Libâneo, tenho alimentado, de forma particular, uma reflexão recorrente no meio educacional: o papel do pedagogo/educador no contexto de globalização. Como fazer do ato educativo uma ação inovadora? Penso que talvez seja esse o dilema e a missão primeira do educador.

Constantemente escuta-se falar da crise da educação: os baixos salários dos professores, as precárias condições das salas de aulas, a escassez de material didático. Fatores esses que contribuem para o baixo nível da educação brasileira, principalmente nas escolas públicas.

Acompanhamos todos estarrecidos de nossas TV´s, os noticiários: "Desvio de verba da merenda escolar", "superfaturamento em obra de reforma na escola", "greve dos professores". Diante de tudo isso pouco se tem ouvido falar sobre algum movimento que vise uma verdadeira transformação da educação no Brasil. Quem são os responsáveis por elaborar os projetos político pedagógicos das escolas brasileiras? A quem compete a orientação da educação dos brasileiros e brasileiras de todo os cantos do país? Quais são os interesses envolvidos nesta questão? Em que medida um projeto de qualificação da educação pode contribuir para o crescimento e desenvolvimento de um país e quais são os fatores que impedem a consolidação de tais idéias?

Historicamente a educação brasileira é pensada como mera cópia de modelos já ultrapassados baseados na cultura européia e Norte Americana. Os modelos e pacotes importados de outras nações são ainda hoje aplicados em realidades totalmente dispares. Muito já se avançou em termos de lei e de documentos teóricos sobre os princípios metodológicos de uma educação contemporânea, porém na pratica ainda se praticam modelos de educação que prevalece como princípio metodológico a adequação do indivíduo ao meio social, para responder as demandas que uma determina classe social mais elevada produz. Sendo assim a educação ainda não conseguiu se confrontar com a velocidade crescente da globalização da economia e da cultura de massa que faz produzir e disseminar informações numa velocidade cada vez maior, produzindo hábitos e costumes que marcam e orientam sobremaneira a vida do povo.

A escola brasileira tem, pois servido de forma doentia a esse modelo de sociedade que privilegia a divisão de classe e que prepara o indivíduo para inserir-se na sociedade dentro de um lógica linear de segregação social. Sendo assim, o sistema de ensino implantado no Brasil conduz a uma formação classista, mas sem conteúdo político, ou seja, não produz consciência de classe.

Ter consciência de classe significa perceber-se diante do mundo enquanto sujeito de transformação. Isso me parece uma tarefa da educação. Para isso faz-se necessário produzir um modelo de educação que possa contribui para que o indivíduo ao adquirir determinado nível de consciência de classe, possa participar de forma livre e consciente das transformações sociais necessárias a melhoria de vida do conjunto da população. É preciso que os novos cidadãos e cidadãs do mundo renovem os costumes e criem novos hábitos culturais, novas formas de gestão, de compromisso ético, de visão de mundo, de responsabilidade com a instituições públicas e privadas.

O papel primordial da educação nesse caso deve ser o de contribuir com os saberes necessários a essa construção. O papel do pedagogo é de ser facilitador desse processo de transformação. Pois todo político corrupto passou um dia pelos ensinamentos de diversos agente educadores. É preciso ainda aprender com os erros do passado e com os erros dos outros, enterrando modelos falidos. A educação precisa colocar-se no papel de formar pensadores do mundo.. Nem educação, nem educadores neutros. É preciso que uma nova educação pressuponha a construção de um projeto de sociedade ao invés de copiar e reproduzir modelos e experiências de realidades que dialogam com os contextos sociais da realidade brasileira.


Fala que eu te Escuto:
B A N Q U E T E

Um blog sobre todos os tipos de literatura, com crônicas, poesias e outros práticas de discursos. Um blog postado no coração do Pici, no ESCUTA, em Fortaleza - Ceará.

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